Aquela Fiat 500 elétrica que virou carro de praia e foi parar na Califórnia
Um Cinquecento clássico ganhou motor elétrico, cordas no lugar das portas e chegou lá na Costa Oeste americana pra dar close no Pebble Beach

Vou contar uma história que é exatamente o tipo de coisa que faz meu coração bater mais rápido: um Fiat 500 clássico, desses de motor a ar bem antigo, virou uma Fiat 500 elétrica transformada em carro de praia, e foi parar nas mãos de um colecionador lá da Califórnia. Isso mesmo, saiu de uma oficina em Milão, foi testado numa pista de corrida na Itália e desembarcou na badalada Monterey Car Week, aquele evento gigante de carros nos Estados Unidos que reúne colecionador de peso, hypercar de milhões (teve até uma Ferrari Luce vendida por 40 milhões de dólares por lá) e uns restomod de doer o olho de tão bonito.
A responsável pela mágica é a Garage Italia, oficina fundada pelo Lapo Elkann (sim, aquele da família Agnelli, dona histórica da Fiat) lá em 2015. Antes de embarcar pros States, testaram o carrinho com exclusividade na pista de Vairano, e o motor que sobrou debaixo do capô nem lembra mais o antigo "Tipo 110" desenhado por Dante Giacosa, o engenheiro que projetou o Cinquecento original lá nos anos 50.
Por que essa Fiat 500 elétrica é praticamente um pedaço de história rodante
O legal dessa história toda é que ela não nasceu agora. A ideia de "spiaggina" (que seria algo tipo "carrinho de praia" em italiano) vem lá do final dos anos 50, quando a Itália vivia o famoso boom econômico e virou moda transformar utilitários simples em carros abertos, sem porta, pra levar pra beira-mar. O primeiro modelo desse tipo foi a Fiat 500 Boano Spiaggia, lá de 1958, e a referência mais famosa da categoria é a Fiat 500 Jolly da Ghia. E tem um detalhe daqueles que arrepia: dizem que o próprio Giovanni Agnelli, o cara que comandava a Fiat naquela época, tinha uma dessas pra ele, e ele não estava sozinho nessa: o armador grego Aristóteles Onassis também era fã do estilo, usando o carrinho pra ir da lancha ancorada no porto até o centro da cidade, num charme só dele.
Nessa versão que foi pra Califórnia, tiraram as portas e colocaram cordas no lugar (uma homenagem clara ao mundo náutico), pintaram de creme com listras vermelha e azul correndo do para-choque dianteiro até a traseira e chamaram a Bonacina, marca de Milão que trabalha com fibras trançadas desde 1889, olha que raiz, pra cuidar do estofamento, pensado pra aguentar sol forte e maresia sem estragar.
Debaixo do capô, saiu de vez o motorzinho a explosão original e entrou um propulsor elétrico assíncrono trifásico de uns 14 cv, com bateria de 11 kWh que promete cerca de 140 km de autonomia (ciclo WLTP) e ainda conta com recuperação de energia na frenagem. Tem até um painel digital fofo, com desenho de lebre e tartaruga pra indicar o modo normal e o modo econômico, e uma direção elétrica que facilita bastante a vida em velocidade baixa. Detalhe engraçado: o carro entra na categoria europeia de quadriciclo pesado (L7e), o que significa que ele pode rodar de placa mesmo sendo, na prática, um carrinho de brinquedo gigante pra adulto, com direito a quatro lugares e cinto de segurança.
Pra quem, como eu, mistura viagem de carro pela Itália com essa paixão besta pelo Cinquecento, histórias assim mostram uma coisa que eu adoro repetir aqui no GIRO500: o 500 nunca foi só um carro. Ele é um jeito de viver, um símbolo que atravessa décadas e ainda consegue se reinventar sem perder a alma. Um dia desses, quem sabe, o Nonno Cinquino não aparece passeando ao lado de uma Spiaggina na beira de algum lago aqui do Piemonte, hein?
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Fontes:
Quattroruote.it — Con Garage Italia Customs il mito della 500 Spiaggina arriva negli USA, por Federico Giavardi (17/08/2026) — matéria original e imagens
ClubAlfa Global — Classic Fiat 500 becomes an electric Spiaggina for a California collector
Garage Italia — página oficial do modelo Spiaggina





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