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Abarth 695 Tributo Ferrari, quando o Cinquecento vestiu o rosso corsa

Quem acompanha o GIRO500 já sabe, eu gosto de viagens tranquilas, de estradas secundárias, de giros baixos e de paisagens que pedem mais contemplação do que pressa. O meu Cinquecento ideal não é aquele que corre, é aquele que conversa com o lugar por onde passa.Ainda assim, seria desonesto fingir que certos carros não despertam admiração imediata, quase instintiva. E quando um pequeno 500 carrega no peito o cavallino rampante da Ferrari, é impossível passar indiferente.


Fernando Alonso e Felipe Massa posam ao lado de dois Fiat 500 Abarth 695 Tributo Ferrari vermelhos, em frente a um edifício histórico na Itália, destacando a parceria entre a Abarth e a Ferrari no período da Fórmula 1.
Fernando Alonso e Felipe Massa, em 2010, ao lado do Abarth 695 Tributo Ferrari, um Cinquecento criado para acompanhar a Scuderia Ferrari fora das pistas. Naquele momento, Alonso iniciava sua trajetória em Maranello e Massa vivia uma fase de retomada na Fórmula 1. O pequeno Abarth, entregue aos pilotos como carro de apoio, carregava no tamanho compacto o peso simbólico de duas marcas históricas e de uma era marcante da Ferrari.

O Abarth 695 Tributo Ferrari nunca foi pensado para longos GIROS tranquilos, e tudo bem. Ele nasceu com outra missão, celebrar um encontro improvável entre duas das marcas mais icônicas da indústria automobilística italiana. De um lado, o Cinquecento, símbolo de leveza, design e mobilidade urbana. Do outro, a Ferrari, sinônimo absoluto de performance, competição e paixão.

O resultado não foi apenas um carro mais rápido. Foi um objeto de desejo, um exercício de estilo e, com o passar do tempo, uma verdadeira peça de coleção.


O tributo Ferrari que nasceu antes de existir

Antes mesmo de se tornar uma série limitada disponível ao público, a ideia do Tributo Ferrari surgiu de forma quase experimental. No fim dos anos 2000, a Abarth desenvolveu cerca de 200 unidades especiais do Fiat 500, pensadas exclusivamente para a rede Ferrari. Esses carros eram utilizados como veículos de cortesia e apoio para clientes e concessionárias da marca de Maranello, funcionando como pequenos embaixadores urbanos do espírito Ferrari.



O entusiasmo gerado por esses primeiros exemplares foi imediato. A combinação entre o carisma do Cinquecento e a aura Ferrari funcionava melhor do que se imaginava. Foi justamente essa recepção positiva que levou a Abarth a transformar aquele experimento inicial em um projeto mais ambicioso, dando origem a uma versão oficial, numerada e limitada, que o mundo passaria a conhecer como Abarth 695 Tributo Ferrari.


Um tributo que foi além do nome

Apresentado oficialmente em 2009 e produzido a partir de 2010, o 695 Tributo Ferrari deixou claro desde o início que não se tratava de mais uma versão esportiva do 500. Era algo pensado para marcar época.


Esta versão foi comercializada em 4 cores diferentes


As referências à Ferrari estão por toda parte, mas sem exageros. A pintura Rosso Corsa, as faixas cinza, as rodas exclusivas inspiradas no universo de Maranello, o escudo do cavallino nos para-lamas. Tudo comunica pertencimento a um imaginário maior, mais intenso e emocional.

Essa atenção aos detalhes também se refletiu na paleta de cores escolhida para o modelo. O Abarth 695 Tributo Ferrari foi oferecido oficialmente em quatro cores, todas com forte ligação ao imaginário da Ferrari, o clássico vermelho, o vibrante amarelo, além do azul escuro e do cinza, opções mais sóbrias que equilibravam esportividade e elegância. Cada tonalidade ajudava a reforçar o caráter exclusivo do modelo, sem descaracterizar a identidade do Cinquecento.

Mesmo quem não se interessa por números ou desempenho percebe que há algo diferente ali. O carro parece mais tenso, mais pronto, quase impaciente. É um Cinquecento que não quer apenas passear, quer mostrar que também sabe acelerar.


Exclusividade que se transformou em história

Outro elemento que consolidou o status do 695 Tributo Ferrari foi sua produção extremamente limitada. Materiais oficiais da época indicavam apenas 1.649 unidades produzidas, número que ajudou a reforçar desde cedo o caráter exclusivo do modelo.

Mais do que um dado técnico, esse número virou símbolo. O carro nasceu raro, e aquilo que já é raro no início tende a ganhar ainda mais valor com o tempo. Hoje, o Tributo Ferrari não é apenas admirado, ele é respeitado como um capítulo especial da história do Cinquecento moderno.



Ele representa um momento específico da indústria automobilística italiana, quando ainda era possível criar séries especiais com identidade forte, sem amarras excessivas, unindo emoção, design e narrativa.

Com o passar dos anos, esse reconhecimento se refletiu também no mercado. Hoje, o Abarth 695 Tributo Ferrari já aparece em vendas particulares e leilões internacionais com valores que beiram os 50 mil euros, dependendo do estado de conservação, originalidade e histórico do exemplar. Um indicativo claro de que o Tributo Ferrari deixou de ser apenas uma série especial e passou a ocupar um lugar definitivo entre os Cinquecento mais desejados por colecionadores.


Não é para o meu GIRO, mas eu teria um na garagem

Se eu fosse absolutamente fiel ao espírito do GIRO500, talvez dissesse que este não é o meu carro. E, de fato, não seria o Cinquecento que eu escolheria para cruzar borgos, estradas rurais ou rotas gastronômicas em baixa velocidade.

Mas isso não significa que eu não teria um Abarth 695 Tributo Ferrari na garagem. Muito pelo contrário. Ele seria aquele vizinho nervoso, sempre pronto para sair acelerando, enquanto o outro 500 observa em silêncio, com um sorriso discreto.

Existe espaço para os dois. Um representa o tempo, a pausa, a estrada. O outro representa o pulso acelerado, a emoção mecânica. E essa convivência diz muito sobre a versatilidade do Cinquecento, não apenas como carro, mas como plataforma cultural.



Nonno Cinquino, personagem autoral do projeto GIRO500, ilustração cartunesca de um Fiat 500 azul antropomorfizado com bigode, expressão serena e boné vermelho, inspirado na cultura automotiva e no imaginário italiano.

Parla Nonno Cinquino!

“Ah, esse garoto é nervoso mesmo…Quando acelera, parece sempre atrasado para alguma coisa. Mas é preciso reconhecer, dentro daquele pequeno capô batem dois corações importantes. Um é do Cinquecento, leve, esperto, inteligente. O outro vem direto de Maranello.

Não é carro de passeio tranquilo, não. É feito para quem gosta de altos giros, para quem sorri quando o motor sobe e a estrada parece encurtar. Eu olho para ele e penso, jovem, impulsivo, mas com uma alma italiana daquelas que não se perdem com o tempo. E isso, meus amigos, nunca sai de moda.”


Um Cinquecento que sempre será admirado

O Abarth 695 Tributo Ferrari envelheceu muito bem. Não virou caricatura, não perdeu relevância, não ficou preso a uma moda passageira. Ele permanece exatamente como nasceu, um exercício de identidade e um encontro raro entre duas filosofias que dificilmente se cruzam.

No GIRO500, eu gosto de contar histórias que vão além do carro em si. Histórias sobre cultura, símbolos e emoções que atravessam o tempo. E o Tributo Ferrari merece esse espaço. Não como protagonista das nossas viagens lentas, mas como aquele personagem especial que passa rápido, chama atenção, deixa saudade e segue seu caminho.

Um Cinquecento diferente, intenso e exclusivo. Talvez não seja o carro dos nossos GIROS, mas com certeza é um daqueles que sempre será admirado por quem entende que, às vezes, até a pressa pode ser bela.


Crédito das imagens: As imagens utilizadas neste post são provenientes de duas fontes distintas. Parte do material visual integra o press kit institucional oficial da Stellantis, produzido para fins de apresentação e divulgação do modelo. Outras imagens foram obtidas a partir de registros públicos de exemplares reais documentados em leilões internacionais, com destaque para a Broad Arrow Auctions, utilizadas exclusivamente para fins editoriais, informativos e de contextualização histórica, sem qualquer finalidade comercial ou publicitária.

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Produção Santa Creazione

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